A história da rapariga feia e boa do café da aldeia

Os velhotes aqui da freguesia adoram a Marlene. É feia que dói, bexigosa, mas é mais nova do que eles uma trintena de anos e tem um corpo que os mantém encostadinhos ao balcão, goela bem aberta para o copo de três, baba ao canto da boca e olhos postos no traseiro da pequena. Ela, desgraçada, não os aguenta. Recebe-os com um simpático "o que é que queres, velho?" E eles, mansinhos, sorriem, desde que esteja garantido espectáculo do outro lado do balcão. Há sempre bons motivos para pedir mais uma taça de verde, como podem ver pela foto...


Ela é que dita as regras. Também não admira: não tem concorrência. As outras mulheres ou são mais feias ou mais velhas ou mais feias e mais velhas do que ela. A Marlene sabe tudo sobre toda a gente. Especialmente quem bateu as botas e quem anda a pôr os cornos a quem. Ali, naquele pardieiro que ela trata como se fosse a sua horta, só ela pode ser perversa. Reparem como ela despachou um pobre-diabo que desconhecia a senhora da casa:
- Nas festas da Senhora da Guia [não sei se era da guia, da agonia, das dores ou da aparecida, mas é indiferente para o caso e a senhora é a mesma] queres beber uns copos comigo?, pergunta o incauto.
- Foda-se!
- Então, tens medo de ficar em coma?
- Só assim é que saía de casa para estar contigo: se estivesse em coma! És feio que puta-que-pariu.

A Marlene, que é solteira e vive com o pai, é assim com homens e mulheres. O gabinete para igualdade de género, essa coisa tão burguesa, é, de facto, ali, naquele café de aldeia. E a chefe de repartição é, de facto, aquela rapariga. Feia, boa e com uma boca do tamanho do olho do furacão Katrina. Nunca mais me esqueço do que ela disse à coleguinha [mais lenta, menos feia e muito menos boa do que ela] que trocava de turno com ela: "Não sabia que pagavam salário para andarem a roçar a rata pelo balcão."

14 comments

Maria dos Anjos 29 de setembro de 2016 às 20:42

È feia mas mas não se nota nada, ehehhe

Beijoos
Anjinha sexy

chocolícia 30 de setembro de 2016 às 00:37

Você pegou?

WOLF 30 de setembro de 2016 às 09:12

Nada como a naturalidade dos locais ainda genuínos do nosso Portugal,pode ser uma história inventada,mas eu que conheço bem Portugal vejo muitas parecenças com a realidade,ainda hoje felizmente.

António 30 de setembro de 2016 às 11:49

eu noto. bjs

António 30 de setembro de 2016 às 11:49

não peguei, não trinquei, mas nunca se sabe...

António 30 de setembro de 2016 às 11:51

não é inventada lobo. queres sair da toca e vir até aqui? é óptimo para people watching

Estrela de Luz 30 de setembro de 2016 às 14:30

Quem ama o feio, bonito lhe parece. Acredito que existam muitas histórias em que uma mulher feia e vista de frente, os homens virem o olhar, mas viste por trás se babem todos.

Mas haverá mulher feia?

Beijo bonito

Estrela de Luz 30 de setembro de 2016 às 14:34

Quem ama o feio, bonito lhe parece. Acredito que existam muitas histórias em que uma mulher feia e vista de frente, os homens virem o olhar, mas viste por trás se babem todos.

Mas haverá mulher feia?

Beijo bonito

Estrela de Luz 30 de setembro de 2016 às 14:35

Quem ama o feio, bonito lhe parece. Acredito que existam muitas histórias em que uma mulher feia e vista de frente, os homens virem o olhar, mas viste por trás se babem todos.

Mas haverá mulher feia?

Beijo bonito

Dalila Lopez 30 de setembro de 2016 às 15:19

Sou feia, não tenho direito à vida? hehhehehe-Pronto, ok, adorei o texto.

Beijo

PEQUENOS DELITOS RENOVADOS 30 de setembro de 2016 às 17:05

EU pegaria... com uma bunda dessas e uma xoxotinha bem peludinha. a cara não interessa!!!

António 30 de setembro de 2016 às 18:01

tens razão estrela. não há mulheres feias!

António 30 de setembro de 2016 às 18:02

longa vida para ti dalila! é só uma forma de descrever a mulher, não é juízo de valor. bjs

António 30 de setembro de 2016 às 18:03

um pouco redutor, não pdr? o palminho de testa não faz a diferença?

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